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Memórias |
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História
Para os que achavam que nossa história começou
a partir de Brigite Bardot...
1000
ac.- Pesquisas arqueológicas descobrem Sambaquis
(restos de esqueletos e utensílios domésticos)
de povos nômades que migraram para a região
nesta época.
1501-1504 - Praia das Caravelas - O início
de tudo. Américo Vespúcio aporta em Búzios
e comanda a primeira expedição ao litoral
brasileiro conhecida como ¨Entradas¨. Daqui
também partiu Aleixo Garcia (seu escudeiro)
que iniciou uma fantástica jornada até chegar
ao Peru, onde havia minas de pedras preciosas.
Após desembarcarem na praia das Caravelas,
que dava acesso ao Sertão do Cabo Frio (área
que compreende o Jardim Peró, Santo Antonio,
Jardim Esperança, Búzios em sua totalidade,
Campos Novos e adjacências), permaneceram
cerca de três anos ancorados, usando a praia
como porto nestas incursões. Neste período,
tiveram dificuldades em se estabelecer, confrontando-se
com tribos indígenas mais fortes (Tamoios,
Aimorés Tupinambás e Goitacáses). Mesmo com
dificuldades, conseguiram fundar alguns postos
avançados que haveriam de ser a proteção que
necessitavam para explorar as terras e formar
cidades.
Com
as chamadas ¨Armações¨ (acampamentos ou postos
avançados, erguidos com a função de capturar
índios para o trabalho escravo, de armazenar
Ibirapitanga e de consertar e reformar embarcações)
começa a nascer Búzios.
Em 1532 chega a primeira expedição de caráter
colonizador com Martim Afonso de Souza, já
com o conhecimento dos resultados das jornadas
anteriores de Américo Vespúcio e suas Entradas.
Os portugueses tinham duas opções para se
estabelecer no Brasil.
A primeira seria consolidar aqui na região
a colônia, com as armações e o armazém fortificado
de Cabo Frio, já estabelecidos. Supostamente
seria mais fácil e prático fixarem-se por
aqui e a segunda opção seria a armação montada
por Aleixo Garcia em são Vicente - SP, onde
os portugueses tinham a intenção de ficar
mais próximos a Bacia do Rio Prata, pois dali
seria mais fácil rumar até o ouro peruano.
Porém, como o desejo imediato português era
o de encontrar ricas jazidas de ouro e outros
metais, resolvem então rumar a São Vicente
e nesta data com o comandante Martim Afonso
de Souza é fundado o primeiro núcleo de povoamento
no Brasil em nossa área litorânea.
Martim Afonso de Souza já sabia que por favorecimento
real teria assegurado para ele e seu irmão
as duas melhores capitanias, então resolve
de maneira estratégica escolher as capitanias
de Pernambuco e São Vicente, passando o armazém
fortificado de Cabo Frio para a ilha de Itamaracá
em Pernambuco e fundando a colônia em são
Vicente para as incursões atrás do sonhado
ouro peruano, até então, sob poder dos espanhóis.
Dois anos mais tarde foram criadas as capitanias
hereditárias e Búzios estaria situada no segundo
quinhão da capitania de Martim Afonso de Souza.
Em 1555, por não aceitar o tratado de Tordesilhas
entre Portugal e Espanha, a França invade
o território brasileiro ao comando de Villegaignon
e funda na Baia de Guanabara a França Antártica.
Sua intenção nesta ação objetiva e politicamente
expansiva era a exploração de ibirapitanga
em troca de objetos sem muito valor, de maneira
amistosa, conquistando assim a confiança dos
donos das terras.
A estratégia teve um sucesso tão grande que
iludiu nossos índios e os mesmos fundaram
com apoio logístico francês uma confederação
contra os portugueses que se chamava, Confederação
dos Tamoios. Esta grande demonstração de força
indígena expandiu-se em todo litoral e uniu
três poderosas nações, Tupinambás, Tamoios
e Aimorés.
Tendo a confederação dos Tamoios como aliada
e bem armada, os franceses constroem um forte
que resiste durante dez anos às investidas
portuguesas. No mesmo ano, com a retaliação
aos franceses, Duarte da Costa usa os índios
Goitacáses ao comando do Capitão Armador Estevão
Gomes e começam uma incursão que inicia no
Rio de Janeiro, arrasando as tribos dos Tamoios,
instalando e ratificando as armações entre
a Baia de Guanabara até a cidade que hoje
chamamos de Campos dos Goitacáses.
Pitorescamente, a segunda parte do nome da
cidade de ARMAÇÃO DOS "BÚZIOS" vem da forma
de comunicação utilizada pelos povos indígenas
nestes locais onde se utilizavam dos Atapus
(conchas vazias de imensos moluscos gastrópodes),
como corneta quando avistavam os portugueses,
podendo premeditar um ataque com quilômetros
de antecedência. O atapú foi batizado pelos
portugueses como Búzios, devido ao som ser
estridente como o de uma buzina.
Aos Tupinambás, restou o destino da morte
que vinha por vingança, graças ao fato ocorrido
na capitania da Bahia, onde os indígenas comeram
em um ritual antropofágico o donatário da
capitania, Francisco Pereira Coutinho, causando
grande indignação na corte Luso-Brasileira.
Este genocídio dura 62 anos e o nosso litoral
é banhando por um mar de sangue, derramado
em nome de interesses feudais que acreditava
na indigência de índios, matando e escravizando
civilizações em nome de "Deus".
Em 1565, Estácio de Sá derrota os franceses
depois de dez anos de resistência e estes
por terem conhecimento que os militares portugueses
haviam iniciado aparelhagem do local com armações
de captura e armazéns de Pau-Brasil, refugiam-se
em Búzios e Cabo Frio.
Entre 1567 e 1574 os portugueses chegam com
tropas e a batalha contra os franceses e a
confederação dos Tamoios tem inicio em território
buziano e cabo-friense. A igreja católica
em 1591 implanta o projeto jesuítico com uma
nova visionária a fim de acabar com as barbáries
contra a nação indígena dando apoio e cobertura
aos povos massacrados pela escravização, instalando-se
sempre em lugares de conflito onde há também
o tráfico de índios.
Em 1600 as incursões iniciadas por Estevão
Gomes 62 anos antes e ratificadas com a aniquilação
dos franceses e a confederação dos Tamoios
em Búzios e Cabo Frio, retornam a Guanabara
deixando nas adjacências de uma das Armações
o desenvolvimento colonizador.
Foi
introduzida a indústria da pesca da baleia
em 1603 no nordeste do Brasil. A estrutura
da pequena vila da armação foi aproveitada,
a fim de criar um posto de mastreação e velame
(provavelmente clandestina, de corsários,
pois a primeira armação legal da região foi
instalada em 1729 em São Sebastião com monopólio
do governo português) para embarcações pesqueiras
de baleias.
Inicia-se também nesta época a catequização
indígena e os conflitos entre jesuítas e bandeirantes
armadores nas capitanias.
Em 1630, com a condenação do escravismo indígena
divulgado pela igreja católica desde 1591,
faz os jesuítas interferirem na briga, deslocando-se
para as áreas de conflitos na intenção de
cateczar, educar e dar apoio aos índios. Brás
de Pina constrói em 1743 a 1ª igreja católica
em Búzios, tornando-se a partir de então distrito
da cidade de cabo frio e devido a necessidade
do desenvolvimento da pesca as baleias para
o aproveitamento do óleo na iluminação pública
e na construção civil, ele recebe em 1746
o direito legal de explorar a caça da baleia
no Brasil, fato que teria dado origem ao nome
da praia dos Ossos. Outra hipótese para o
nome teria sido um grande genocídio indígena
cometido em 1865 com aproximadamente 5000
mortos.
Em 1759, Marques do Pombal expulsa os jesuítas
do território português pela oposição ferrenha
ao escravismo. A fazenda Santo Inácio dos
Campos Novos é vendida para grandes fazendeiros.
Entre 1750 e 1870 inicia-se a colonização
definitiva, com interesses no desenvolvimento
da agricultura e da pesca, utilizando-se da
mão de obra escrava. Após a proibição da venda
de escravos e a implementação da lei do Ventre
Livre o tráfico continuava através do capitão
José Gonçalves, permanecendo até o ano de
1888. Esta mão de obra escrava era aproveitada
em fazendas, principalmente no plantio de
bananas. Os outros negros que vinham refugiados
do interior do estado, do plantio da cana,
estabeleciam-se entre a Fazendinha (José Gonçalves)
e a Rasa, formando um Quilombo.
Com a evolução da colonização, famílias influentes
penetraram de forma definitiva na vida e no
desenvolvimento de uma nova civilização, passando
a lotear as terras herdadas, organizando-se
em comunidades e deixando descendentes nativos,
misturados aos negros e a muitas outras raças
de visitantes que resolveram viver em Búzios,
conquistados pela exuberância da natureza.
Antonio Alípio da Silva foi o primeiro representante
político do então 3º distrito e a partir de
1940 começou a vida política de Búzios com
a participação de alguns representantes na
câmara municipal de Cabo Frio.
Búzios cresceu e começou a receber personalidades
ilustres como Brigite Bardot que abriu as
portas da cidade para o mundo no ano de 1962.
A partir de então, a cidade despertou para
o turismo internacional, atraindo gente famosa
e absorvendo identidade exclusiva de características
ecléticas e excêntricas. Ativistas políticos
como Toninho Português, Marcos Canhedo e Manuel
Gomes, juntaram-se a movimentos populares
que surgiram em favor da emancipação, visto
que Búzios encontrava-se desordenada e abandonada
a própria sorte, em um momento de desenvolvimento
social importante. Já em condições de organizar-se
e caminhar por suas próprias pernas, o movimento
pró-emancipação tomou forma, e alguns vereadores
que compartilhavam desta necessidade, como
o arquiteto Otávio Raja Gabaglia, tiveram
papel fundamental nesta decisão política.
A emancipação veio no ano 1996 e o povo elegeu
no voto popular o Prefeito Delmíres de Oliveira
Braga, nativo, filho de pescador, conduziu
a cidade até o ano de 2000, conseguindo se
reeleger por mais quatro anos na intenção
de continuar melhorando a qualidade de vida
dos seus habitantes e turistas.
E assim, Búzios continua sua história....
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